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FUTUROS

XVI CONGRESSO DA SOCIEDADE INTERNACIONAL DE ETNOBIOLOGIA
Belém+30 – www.ise2018belem.com
30 anos depois do  1° Congresso em Belém (PA), 1988 

XVI Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia
XII Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia
7 – 10 de agosto de 2018 – Belém do Pará
Seguem os resumos da sessão em geral e do meu depoimento sobre participação no Projeto Kayapó

De Belém a Belém+30: o que temos a declarar
– Coordenadores: Elaine Elisabetsky e Marcio D’Olne Campos
– Alejandro Camino
– Anthony Anderson
– Brent Berlin e Elois Berlin
– William Balée
– William Overall

Belém+30 festeja o 1º Congresso Internacional de Etnobiologia (1988) que foi um marco afetivo, científico e profissional em nossas vidas. O grande responsável por isso foi Darrell Addison Posey, Presidente do Congresso. Prematuramente, ele nos deixou em 2001 aos 54 anos. Graças ao seu pioneirismo e competência como cientista, foi criada em Belém a Internacional Society of Ethnobiology, acompanhada da importantíssima Declaração de Belém que explicitou as responsabilidades dos cientistas e ambientalistas em atender às necessidades das comunidades locais e reconhecer o papel central dos povos indígenas em todos os aspectos do planejamento global. Esses ideais se confirmaram e se reforçaram no 2nd Internacional Congress of Ethnobiology realizado em 1990 em Kunming, com a presidência de Pei Shengji. Uma parcela importante dos cientistas que participaram dessas duas reuniões continuou suas atividades nos campos da etnobiologia, da etnoecologia e de outras áreas relacionadas. Entre estes participantes, muitos integraram a Coalisão Global da ISE pela a Diversidade Biocultural que foi criada no segundo congresso e atrelada ao Plano de Ação de Kunming (1990). Na Belém+30, decidimos reunir uma parcela dos veteranos atuantes nas duas primeiras reuniões para refletir e constatar as maneiras pelas quais traçamos nossas trilhas desde 1988 até chegarmos sãos e salvos à Belém+30. Para alguns de nós isso envolverá o Projeto Kayapó, e para todos nós o querido e saudoso amigo Posey com seu papel fundamental em toda nossa história e da Etnobiologia em si.

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From Belém to Belém + 30: what do we have to declare

Belém+30 celebrates the 1st International Congress of Ethnobiology (1988) which was an affective, scientific and professional milestone in our lives. The great responsible for this was Darrell Addison Posey, President of Congress. Prematurely, he left us in 2001 at his 54 years. Thanks to its pioneering and competence as a scientist, it was created in Belém the International Society of Ethnobiology, accompanied by the important Declaration of Belém that explained the responsibilities of scientists and environmentalists in attending to the needs of local communities and to recognize the central role of indigenous peoples in all aspects of global planning. These ideals were confirmed and reinforced at the 2nd International Congress of Ethnobiology held in 1990 in Kunming, with the presidency of Pei Shengji. An important portion of the scientists who participated in these two meetings continued their activities in the fields of ethnobiology, ethnoecology and of other related fields. Among these scientists, many of them integrated the ISE Global Coalition for the Biocultural Diversity that was created in the second congress linked to the Kunming Action Plan (1990), At the Belém+30 we decided to gather a parcel of the veterans who were active in the first two meetings to reflect and verify the ways in which we traced our trails from 1988 until we arrived safe and sound to the Belém+30. For some of us this will involve the Kayapo Project, and for all of us the dear and nostalgic friend Posey with his key role in all our history and that of the ethnobiology itself.

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DAP acolhe um astropólogo no Projeto Kayapó

Marcio D’Olne Campos

USP, julho de 1984 na reunião da SBPC, assisti um simpósio sobre: “Etnobiologia dos Kayapó: Conhecimento do índio sobre a natureza e manejo ecológico”. Título elaborado, logo aos primeiros minutos a seriedade caiu e a abordagem profunda cresceu com a minha fascinação. Tratava-se de um simpósio-happening num palco de auditório que abrigava o diretor de cena – Darrell Addison Posey – e, entre amigos hoje mais próximos: Elaine Elisabetsky e Anthony Anderson. Com magistralidade, os debatedores eram os xamãs Kwyrã Ká e Beptopoop acompanhados do chefe Kayapó Kañonk de Gorotire (Pará).

Fascinado pelo evento, procuro Posey ao final e acabamos jantando onde lhe contei do trabalho entre pescadores e seus saberes das relações céu-terra. Minha descoberta recente fora que eu trabalhava em etnoastronomia, uma das especialidades sobre ciências indígenas que para nós é disciplinadamente denominada uma das etno-X (X disciplina acadêmica). Nesse contexto, sábios indígenas nos mostram uma visão que integra relações humanos-natureza na perspectiva de assegurar nossa condição de vida atual de forma sustentável às futuras gerações (Brundtland, 1982).  Essa é a perspectiva que Posey defendia confiando no diálogo ‘ciência indígena – ciência acadêmica’ para a solução de nossos problemas ambientais, naturais e sociais.

Esse período, de extrema satisfação intelectual e afetiva, na segunda metade dos anos 80 ainda nos traz frutos e inspirações 30 anos depois. Naquele jantar Posey acolheu o astropólogo. Quatro anos depois realizávamos no MPEG (Goeldi) a exposição “A Ciência dos Mebêngôkre. Alternativas contra a destruição”.

Os Kayapó têm consciência do círculo sazonal de marcadores de tempos terrestres correlacionados com os tempos celestes dos astros; estes últimos indiferentes às ações humanas. Tal correlação, extremamente importante para eles, deveria ter também importância para nós. Para os Kayapó, ocorrências contrárias às expectativas, ou seja, anomalias temporais nas correlações céu-terra – são atribuídas a irregularidades climáticas, agressões à Natureza ou ao desrespeito a normas e cerimoniais.

DAP hosts an astropólogist in the Project Kayapo

USP, July 1984 at the meeting of the SBPC, I attended a symposium on: “Ethnobiology of the Kayapo: Indigenous knowledge about nature and ecological management”. From this elaborate title, just after the first few minutes, seriousness fell, and the deepness of the approach grew as well as my fascination. It was a symposium-happening in an auditorium stage housing the scene director – Darrell Addison Posey – and, among closest friends: Elaine Elisabetsky and Anthony Anderson. With masterfulness, the debaters were the shamans Kwyrã Ká and Beptopoop accompanied by the chief Kayapo Kañonk of Gorotire (Pará). Fascinated, I looked for Posey at the end of the event and we ended up having dinner when I told him about my work among fishers learning about their knowledge on sky-earth relations. At that time my recent discovery was that that I was working in ethnoastronomy, one of the specialties studying indigenous sciences that for us is one of ethno-X (X being an academic discipline). In this context, indigenous scholars show us a vision that integrates humans-nature relations in the perspective of securing our current living condition in a sustainable way for future generations (Brundtland, 1982). This is the perspective that Posey advocated by relying on the dialogue ‘indigenous science-academic science’ to solve our environmental, natural and social problems. This period, of extreme intellectual and affective satisfaction, in the second half of the 80’s still brings us fruits and inspirations 30 years passed. At that dinner Posey welcomed the astropologist in the Project Kayapó. Four years later was produced in MPEG (Goeldi Museum) the exhibit “The Science of Mebêngôkre. Alternatives against destruction”. The Kayapo are aware of the seasonal circle of earth-time markers correlated with the celestial times of the stars; These last being unperturbed by terrestrial humans’ actions. Such a correlation, extremely important to them, should also be of importance to us. For Kayapo, occurrences contrary to expectations, that is, temporal anomalies in the sky-earth correlations-are attributed to climatic irregularities, aggression to nature or to disrespect to norms and ceremonies.

OCORRIDOS

Luciana Souza

  • PATRIMÔNIO E COLONIALIDADE:
    A preservação do patrimônio mineiro numa crítica decolonial
  • Por
    Luciana Christina Cruz e Souza

2ª feira, 26 de março de 2018                          MAST – Museu de Astronomia e Ciências Afins

Defesa de Tese de Doutorado em Museologia e Patrimônio                                                          PPG em Museologia e Patrimônio
(UNIRIO/MAST)

Aprovada pela banca examinadora:

Banca Examinadora

Márcia Regina Romeiro Chuva  (2)
Marcio D’Olne Campos              (5)
Priscila Faulhaber Barbosa        (4)
Bruno César Brulon Soares       (1)
Marcus Granato (orientador)      (3)  Da esquerda para a direita.

RESUMO
A pesquisa para tese identificou relações institucionais que se constituíram em torno do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), forjando discursos sobre a legitimidade da mão de obra especializada no trato do patrimônio. Essa legitimação, fundamentada num primeiro momento pelo exercício político da intelectualidade brasileira, foi se constituindo em torno de saberes acadêmicos, reforçando parcerias e dinâmicas de herança moderno-colonial. A pesquisa, de natureza exploratória, teórica, bibliográfica e documental, procurou mapear a rede de referências políticas geradoras do sentimento de pertencimento à comunidade mineira, e brasileira, a partir da autoridade discursiva delegada à figura do especialista, forjando uma análise hipotético-dedutiva. É nessa perspectiva que procurou-se refletir sobre os discursos institucionais que reforçaram a necessidade da mão de obra especializada para o trato do patrimônio, aparentemente orientados a um fim: o de manutenção de um campo formado por agentes e agências dedicados a autoreprodução, numa geopolítica do saber operada no capitalismo globalizado. Sendo assim, observa-se um padrão de forças que parecem afirmar a existência de uma dimensão de colonialidade nas relações de preservação no Brasil, especificamente em Minas Gerais.
Palavras-chave: Patrimônio; Preservação; Colonialidade; Minas Gerais.

 

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